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14-10-2010

Reajuste salarial da Construção Civil no RN será o maior do país

Piso sofrerá reajuste de 16,6%

O piso salarial pago aos trabalhadores da construção civil no Rio Grande do Norte será reajustado em 16,6% este ano, alcançando o maior índice de aumento do país, de acordo com levantamento do Sinduscon RN, o Sindicato que representa as empresas. A negociação salarial foi fechada ontem e deverá elevar de R$ 602,80 para R$ 702,80 o piso da categoria, beneficiando cerca de 30 mil trabalhadores. “Avaliamos a negociação como positiva e entendemos que ela, na verdade, recupera nossas perdas salarias. A construção passou algum tempo sem oferecer ganho real”, diz o presidente do Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores do Ramo da Construção Civil, Assis Pacheco. Ainda que comemorado, o índice ficou abaixo dos 20% pleiteados. O acordo entre as partes foi fechado com a quarta contraproposta oferecida pelas empresas. Segundo informações do sindicato dos trabalhadores, elas ofereceram 4%, 8%, 15% e, por fim, 16,6% de aumento.

O reajuste será concedido num momento considerado de forte aquecimento para a construção civil, com diversas obras em andamento e no gatilho, estimuladas principalmente pela crescente demanda no mercado interno, fermentada por financiamentos de longo prazo e por incentivos governamentais à construção e à aquisição de moradias. Tanto movimento faz com que a necessidade de mão de obra qualificada seja ampliada, diz o vice-presidente do Sinduscon, Arnaldo Gaspar.

“O aumento tem seu lado positivo, pois podemos ter um interesse maior por parte dos jovens que desejam ingressar como profissionais do setor, estimulados pelo fato de que este valor é o piso mínimo da categoria e que, se o mercado continuar aquecido, a tendência é que o salário real do profissional experiente seja ainda maior”. De acordo com ele, as empresas “não sentirão um impacto tão grande com o reajuste, considerando que profissionais como pedreiros, carpinteiros e pintores, em sua grande maioria, já recebem acima do piso estabelecido, em alguns casos, mais que o dobro do piso salarial da categoria. “Podemos dizer que o impacto maior será no salário do servente, que sofrerá um reajuste de 10% do piso, e as empresas construtoras, em sua maioria, efetivamente pagam o piso a esta categoria”, acrescenta. Para os serventes, o valor atual do piso é R$ 515,50. Sem detalhar por função, um levantamento do Ministério do Trabalho sobre a média dos salários de admissão do estado mostra que a construção pagou, de janeiro a agosto deste ano, R$ 642,75, em média, por mês, aos profissionais que contratou no período. O valor foi o quinto no ranking das oito atividades que constam na pesquisa. E o oitavo do Nordeste.

Agora, o aumento do custo da mão de obra que deverá ser absorvido pelas empresas, poderá mexer com essa classificação e também poderá ser repassado aos consumidores. Apesar disso, o Sinduscon não enxerga que haverá desaceleração nas obras. “Pelo contrário, avaliamos que, com o início das obras de infraestrutura para a Copa de 2014, para obras do PAC, do Minha Casa, Minha Vida e do mercado imobiliário, o ritmo de contratações tende a subir”, estima o vice-presidente.
 

Tribuna do Norte



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